24 de outubro de 2011

love of mine

Não lembrava do desespero de escrever um texto até ver esse maldito filme e já sair no cinema pensando nas coisas que eu precisava pôr pra fora sem respingar em alguém. Vocês, pessoas amargas – porém esperançosas- que sonham em encontrar um grande amor, aqui vai a mensagem do filme clichê: melhores amigos são os melhores amores. Pois aí vai um exemplo dessa falácia que insistem em dizer que existe: o amor.

Hoje acordei pra trabalhar e, como é feriado, palavra inexistente no dicionário de um jornalista (mesmo que ainda estagiário), a cidade encontrava-se em sua melhor condição: vazia. O sol ainda gelado de 7:48 da manhã, a pressa pra chegar no trabalho e o meu ipod me fizeram atravessara a avenida como se fosse uma grande estrada. E nesse clima de bom dia, senti que o resto dele seria bom. Saí da redação e tive uma tarde daquelas relaxantes e tranquilas com os amigos, com direito a cerveja gelada e céu alaranjado. Enquanto penteio o cabelo, penso se hoje é dia de te ver e no quanto isso pode ser legal.

Combinamos de ir ao cinema, eu e meu melhor amigo, ver o tal do filme que dizem que é a nossa cara. Palhaçada, desde quando existe isso de um filme simplesmente ter “a nossa cara?” Nós tem temos uma cara! Nós sequer somos “nós”! Mas continuando, meu melhor amigo gay nos acompanhou- o que foi bom, porque se tivéssemos assistido aquele filme sem alguém pra não sacar nada e fazer comentários aleatórios sobre a bunda do Justin Timberlake seria bem mais tenso e eu não teria a quem abraçar.

O filme começa e logo nas primeiras cenas meu coração começa com aquela arritmia que só ele sabe causar. Eles combinam de transar e não passar disso. Após a primeira transa, o famoso “não vai mais acontecer”, na posição e com a entonação ofegante que usamos quando falamos isso. Me assustei. Depois de alguns bons minutos do filme – e já totalmente envolvida – percebi que de repente talvez quem sabe eu pudesse estar assistindo a minha vida e que então, poderia perceber algumas coisas. Mas.. WHAT THE HELL? Justin Timberlake? É utopia demais pro coração de uma menina do século XXI.

No meio do filme, mais um espasmo: I Will Follow You Until The Dark. Tive que me recolher inteira e me agarrar no amigo gay pra não pular naquele pescoço marcado e encher de funga-funga. As cenas vão se passando e a cada minuto eu percebia o quanto somos idiotas juntos e o quanto isso é legal! Finalmente, chega de filme, chega de amor, de amizade, de amoramizade, de nós. Nós, ora nós, nós só os da garganta que você me arranja vez ou outra.

Levantamos da cadeira e o meu melhor amigo parecia adivinhar meu pensamento, quando me abraçou e disse exatamente o que me rodeava a cabeça por duas horas: esse filme é a nossa cara. É claro que eu fiquei sem graça e querendo enchê-lo de porrada ali mesmo, na confusão da saída da sala 5. Mas, como sempre conveniente, meu melhor amigo gay, sem sacar absolutamente nada, me solta um “É lindo esse filme, né?” Eu respirei fundo e pensei é “claro que é lindo esse filme, ele acontece na minha vida! ” E respondi “é, é lindo o filme”.

Saímos do cinema como sempre contendo esse amor e ódio. Toda vez que percebo que isso acontece fico nervosa pra chegar o primeiro minuto em que ficamos a sós e ele me beija, sempre do mesmo jeito, na mesma velocidade. Nos beijamos e pensei no tal do Dylan de novo. Sabe, queria ter um melhor amigo que virasse melhor amor, desses que te conhecem a cada poro, não te levam a sério e discordam na maioria das coisas. Um amigo que te apresenta um cara legal e torce por você, mesmo morrendo de ciúme. Amigo que tem medo de deixar de ser amigo, porque é mais divertido assim. Amigo que de tão amigo, virou namorado. Virou amor.

Abri meus olhos, olhei nos dele e ainda com a boca colada uma na outra, percebi: Ok, já tenho um.

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