23 de agosto de 2011

Eu tenho que gritar isso, porque você está surdo e não ouve. A Sedução me escraviza à você. Ao fim de tudo, você permanece comigo, mas preso ao que eu criei, e não a mim. E quanto mais falo sobre a verdade inteira, o abismo maior você para. Você não tem um nome, eu tenho. Você é um rosto na multidão, eu sou o centro das atenções. Mas a mentira da aparência do que eu sou e a mentira da aparência do que você é, porque eu não sou o meu nome e você não é ninguém. O jogo perigoso que eu pratico aqui, ele busca chegar ao limite possível de aproximação, através da aceitação da distância e do reconhecimento dela. Entre eu e você existe a notícia, que nos separa. E eu quero que você veja a mim, eu me dispo da notícia, e a minha nudez, parada, te denuncia e te espelha. Eu me relato, tu me relatas. Eu nos acuso. E confesso por nós. Assim, me livro das palavras com as quais você me veste.




Fauzi Arap

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